
Darlan Campos
Darlan Campos é Consultor em Marketing Político, professor, escritor e membro fundador do CAMP - Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político.
Publicado por: Darlan Campos Em: Colunistas No dia: 20 de maio de 2021
A diferenciação é fundamental numa campanha eleitoral ou mandato parlamentar. No fundo, a estratégia é o contraste. O contraste é entendido como diferenciação e não como ataque. É preciso se diferenciar na forma, na substância, nos símbolos, nas imagens, nas ideias e propostas. Diferencie-se de todos os adversários e até dos seus antecessores ou colegas de partido.
Veja três alternativas para a construção de diferenciação:
A narrativa: A narrativa permite-nos diferenciar-nos quando, em vez de falar do problema, definimos as verdadeiras causas que devemos atacar, quando falamos da “raiz”. Para fazer isso com eficácia, precisamos de uma narrativa que conte uma história com uma ameaça, uma oportunidade, vítimas, vilões, soluções e um herói.
O posicionamento. A Estratégia em uma campanha envolve garantir que os cidadãos nos percebam como diferentes em torno de um eixo de debate público que nos é favorável. Não se trata apenas de nos identificarem à parte dos demais candidatos, nosso posicionamento deve nos fazer ver como parte da solução do problema que vivemos e nossos adversários como parte do problema.
A definição do oponente. A definição do adversário não significa apenas “rotulá-lo”, devemos primeiro definir quem é o adversário. Em uma campanha, quem define o adversário correto vence. Recomendação -à pense bem quem é o nosso adversário e procure defini-lo de forma contundente e simples.
O marketing digital é uma tendência indiscutível. São diversos os campos que o utilizam atualmente, em infinitas maneiras de aplicação. Uma delas, que está em crescimento constante, é o marketing político digital. O grande trunfo do marketing político digital é que pode ser usado em qualquer tempo. Mas o sucesso nessa empreitada está ligado a construção de narrativa e reputação ao longo do tempo. É primordial antecipar-se à campanha e fazer a construção da imagem.
As condições que antes garantiam uma boa reputação e popularidade são coisas do passado. Campanhas luxuosas, marqueteiros com poderes mágicos e as coligações partidárias perderam relevância e, de agora em diante, a estratégia por trás da comunicação precisa estar completamente alinhada a uma definição de uma narrativa consistente.
É importante manter os eleitores e a sociedade civil como um todo, informada a respeito dos esforços do mandatário eleito durante a sua atuação. A candidatura e o posicionamento dos candidatos e dos políticos já eleitos e empossados, são momentos que envolvem uma complexidade de informações que devem ser organizadas e orientadas constantemente.
Atualmente, houve uma profunda mudança na forma de produzir e consumir conteúdo na internet. Novas demandas que envolvem expectativas de eleitores, diálogo e projetos para atender cidadãos e a sociedades são diárias e devem ser acompanhadas pelos políticos também pelos meios digitais.
É fundamental que o indivíduo político mantenha o seu público próximo e informado durante as eleições e durante o mandato, caso eleito. É essencial manter os canais próprios de comunicação digital atualizados, com o objetivo de informar e dialogar com os cidadãos.
Eis uma pergunta que muitas vezes ouço de políticos, partidos e até a imprensa. Usar a internet na política se deve ao fato de que as pessoas estão na internet. O objetivo final é se conectar com as pessoas, passar a sua mensagem. O digital é meio e não fim.
https://soundcloud.com/republicacast/mkt-pol-89-balanco-das-eleicoes-abel-lumer-fabrizio-moser-kleber-carrillo-e-matheus-dias
O marketing político digital, sempre deixa profundas lições a cada eleição, crise política e manifestação política por parte dos mandatários e da sociedade.
A boa campanha obedece etapas que necessitam tempo de trabalho: Construção de imagem, aderência e conversão. A maioria dos políticos ficaram aguardando as tardias convenções partidárias e a chegada do fundo eleitoral para efetivar sua atuação no ambiente digital. Definitivamente, não há milagres que se possa fazer com 45 dias de campanhas. A internet é uma ferramenta poderosa demais para ser usada apenas como uma acessório complementar.
Um dos aprendizados é a necessidade de criar conteúdos focado nos canais/redes, respeitando as características de cada uma. Não se transpõe a campanha política de rua (off-line) para o digital. Vídeos com cara de horário político, santinhos, feliz dia do pedreiro, fotos da carreata, etc. Este tipo de conteúdo não se impulsiona. O material digital deve ser pensado exclusivamente visando o targeting.
Ao compreender o comportamento do cidadão nas redes sociais e na internet como um todo e enxergando a evolução dos conteúdos, devemos lembrar que uma campanha digital qualitativa que impacte positivamente nas eleições e, posteriormente, no cotidiano político e social da sociedade não começa da noite para o dia.
É fundamental segmentar bem os públicos. Produzir conteúdos voltados a públicos e não somente para regiões. Os filtros do Facebook são poderosos o suficiente para que busquemos atingir o público exato consumir de um conteúdo premium, ao invés de gerar conteúdo genérico para cobrir uma ou poucas regiões.
Ao compreender o comportamento do cidadão nas redes sociais e na internet como um todo e enxergando a evolução dos conteúdos, devemos lembrar que uma campanha digital qualitativa que impacte positivamente nas eleições e, posteriormente, no cotidiano político e social da sociedade não começa da noite para o dia.
A grande lição das últimas campanhas, é o planejamento e a velocidade dos conteúdos. A campanha eleitoral deve seguir etapas contidas. O planejamento de uma campanha política envolve construção de imagem, aderência, conversão e estudos de comportamentos. Ela não pode ser feito em trinta dias ou em cima da hora.
Atenção para não transformar sua presença digital, apenas, num repositório para materiais impressos produzidos na campanha. Não reaproveite o material off-line para distribuição presencial para o conteúdo digital. Escanear o santinho impresso e colocá-lo numa rede social por exemplo, não funciona. Isso não é marketing político digital.

