
Publicado por: Agencia de Notícias Em: Política No dia: 12 de junho de 2021
Uma jovem de 27 anos se destacou, na manhã da última sexta-feira (11), em meio a militantes trajados de verde e amarelo no Aeroporto de Vitória. Vestindo uma camiseta preta em homenagem ao Sistema Único de Saúde (SUS), Maria Clara Gama, de 27 anos, carregava um cartaz e se manifestava contra o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), que fez sua primeira visita ao Espírito Santo como ocupante do cargo. A intenção era dar “boas-vindas” à sua maneira, mas isso não foi possível depois dos ataques sofridos por ela.
As palavras de Maria Clara, que é mestranda em Direito na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), foram poucas. Seu objetivo era comunicar somente com o cartaz, olhar no olho de Bolsonaro e evitar atritos com os apoiadores do presidente. No pedaço de papelão em sua mão, estava escrito “Bem-vindo. 500.000.”, com cruzes abaixo da saudação, em referência ao número de mortos na pandemia da Covid-19, que já é de 482.135 óbitos, segundo o consórcio de veículos de imprensa.
Mas enquanto permanecia imóvel em frente ao aeroporto, segurando o cartaz de pé e sem dizer nada, Maria Clara escutava inúmeros xingamentos dos apoiadores do presidente da República. A maioria estava de frente para ela, atrás de um cordão de isolamento, gesticulando e vociferando palavras como “piranha”, “cachorra” e “vagabunda”.
Não escrevi ‘genocida’, nem falei as palavras de ordem comuns, nem ‘Fora Bolsonaro’. Só queria registrar que ele estava vindo ali criar aglomeração, para fazer campanha política antecipada aqui no Espírito Santo, não para trabalhar. E queria dar minhas boas-vindas lembrando a situação que a gente está vivendo. Mas não fiz nenhuma crítica explícita — destaca a jovem.
Seu objetivo, o contato com o presidente, não aconteceu. Ainda antes da chegada de Bolsonaro, ela foi alvo de xingamentos e ataques dos apoiadores do presidente. Enquanto permanecia em pé e em silêncio, um homem se aproximou, arrancou e rasgou seu cartaz, como mostra um vídeo que circula nas redes sociais. — Não fiz resistência nenhuma. Quem pegou de volta foi um jornalista, mas já estava rasgado — lamentou, ao agradecer um dos repórteres que estava no local e tentou ajudá-la.

