Renan Guerra
Contador e mestre em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Espírito Santo

Pandemia que dói no bolso

Colunistas - 27 de julho de 2020
Renan Guerra

Desde o início da pandemia da covid-19, houve uma severa reestruturação do funcionamento das empresas em geral, desde a mobilização do trabalho remoto, redução da carga horária dos funcionários, ou até mesmo a suspensão temporária do contrato de trabalho. De certa forma, essa crise favoreceu alguns poucos, enquanto prejudicou – e continua prejudicando – a maior parte das companhias.

A pergunta que se faz é a seguinte: qual o impacto da renda dos brasileiros nesse cenário? Segundo uma pesquisa feita pelo instituto Ipsos, 60% dos brasileiros tiveram um aumento do custo de vida nesse período, de forma similar à população mundial. Na percepção dos brasileiros, o que mais contribuiu para onerar os gastos mensais foram insumos voltados para a alimentação e produtos de limpeza. Além dessas despesas, os entrevistados também relataram um aumento com custos fixos residenciais, principalmente água e luz. Em contrapartida, gastos com consumo cíclico, tal como vestuário, por exemplo, foram menores no período analisado.

Enquanto isso, o IBGE ratifica suas divulgações mais recentes, apontando que 36,40% da população brasileira, mesmo com as medidas de proteção do emprego adotadas pelo governo, teve um rendimento mensal reduzido. Isso se dá principalmente por conta do impacto (tanto macro quanto micro) da crise provocada pela doença, somada com as medidas de isolamento e distanciamento social adotadas pelo globo.

O cenário mais provável e previsto é de que um aumento de estresses financeiros por parte das companhias continue a assombrar as finanças dos empresários e trabalhadores em geral, sobretudo para as empresas mais afetadas pela crise. E aqui estamos falando principalmente de bares, restaurantes, vestuário, hotelaria, aviação, turismo, dentre outros segmentos relevantes.

Além disso, novos impactos serão de ser tratados com uma maior sensibilidade, alinhando a necessidade do Fisco com a realidade das empresas. Isso vai ser ainda mais evidente em outubro deste ano, tendo em vista que é o prazo médio em que se acabam as suspensões de contrato trabalhista, juntamente com o vencimento dos impostos federais que foram prorrogados no primeiro trimestre, somados com os tributos devidos da competência vigente. De qualquer forma, o cenário futuro é incerto e requer esforço e diálogo, principalmente para tratar de uma possível facilitação do pagamento dos tributos acumulados, quanto de uma ampliação de linha de crédito voltada para as empresas.

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