
Max Dias
Historiador, jornalista, professor do IFES Campus Linhares e Doutor em História
Publicado por: Max Dias Em: Sem categoria No dia: 12 de novembro de 2022
Após a derrota, Jair Bolsonaro submergiu. Como um vagabundo, desses que o presidente tanto critica. Numa lógica de normalidade institucional seria natural que o atual presidente cumprimentasse o candidato vitorioso e fosse cuidar dos últimos detalhes do seu governo para a saída de cena. Mas, com Bolsonaro nada é assim. Sua aparente imprevisibilidade é um projeto de poder.
Distante dos holofotes e do curral do Alvorada (onde costumava conversar com os seus seguidores), o atual presidente deixou crescer a maré golpista e assistiu de camarote toda uma série de insanidades e sua expectativa segue alta até o final de dezembro. Para a maior parte dos seus eleitores é hora de fazer do caos uma oportunidade para anular as eleições em urnas eletrônicas e garantir a permanência de Jair Bolsonaro pela intervenção das Forças Armadas. Roteiro previsível.
Do fechamento das BRs à ocupação dos quartéis, tudo passou por uma ação coordenada que nesse instante vai sendo desvendada pela Polícia Federal. Ao que tudo indica (e isso faz parte da investigação) a própria Polícia Rodoviária Federal (contaminada pelo bolsonarismo) esteve por trás de uma série de ações irresponsáveis desde o domingo dia 30 de outubro. O aparelhamento da PRF é mais um dos legados de Jair Bolsonaro.
É um fato que a PRF fez esforço mínimo para retirar os bandidos travestidos de caminhoneiros que fechavam as rodovias. Vimos por meio de imagens alguns agentes levando tiro desses criminosos. Sabe-se hoje que o setor empresarial ajudou a financiar tais barbaridades. E pelo visto segue contribuindo com a balbúrdia, pois: quem sustenta esse tanto de gente ocupando os quartéis?
A conivência das Forças Armadas para esse enredo já era esperada, mas tem uma parte dessa história pouco conhecida e que passa pelo caminho do dinheiro. E toda grana deixa rastros. Seguindo-os poderemos passar a limpo essa história e tentar restabelecer a democracia. O retorno à normalidade republicana depende de pulso firme dos três poderes e uma voz de comando garantista à frente das polícias.

