Max Dias
Historiador, jornalista, professor do IFES Campus Linhares e doutorando do PPGHIS-UFES

O PSOL que pode ultrapassar o PT

Política - 13 de outubro de 2020
Max Dias

Com um certo atraso histórico, mas ainda dentro da margem de erro (principalmente se levarmos em consideração a flutuante conjuntura política brasileira), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) parece chegar a uma eleição com grande possibilidade de ampliar o número de votos totais sobre o seu espelho, o Partido dos Trabalhadores (PT). E o responsável por essa façanha tende a ser o candidato à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, atualmente com 12% de intenção de voto.

A mesma São Paulo, onde o PT surpreendeu o Brasil em 1988 fazendo da atual vice de Boulos (a deputada federal Luiza Erundina) prefeita, é o território onde hoje o PSOL busca construir o objetivo que o fez nascer em 2004: ser a força hegemônica da esquerda capaz de arrastar o campo popular e progressista que sempre deu vida e amparo ao PT desde a sua fundação em 1980. A tarefa, sob o ponto de vista nacional, é mais inglória, pois os petistas ainda detêm a marca “Lula” e em 2018 conseguiram construir um Fernando Haddad mesmo em meio a um péssimo cenário eleitoral para o partido. Todavia, se formos pensar de modo pragmático, São Paulo é uma vitrine e a projeção alcançada por tantos petistas poderia favorecer o psolista nessa ocasião.

A vitória do PSOL no principal colégio eleitoral do país ainda é uma elucubração. Ali, a bem da verdade, a tendência é de uma corrida contra o relógio para conseguir crescer mais dez pontos percentuais em 30 dias ou, ao menos, acreditar que as muitas candidaturas direitistas na capital paulista podem servir para desidratar o atual prefeito Bruno Covas, do PSDB, segundo colocado no pleito. Assim, ser o terceiro colocado nas pesquisas, nesse momento, nem parece ser o pior dos cenários para Boulos, já que a sua candidatura parece ter incorporado o sentimento da resiliente esquerda paulistana e a desidratação do PT – com a fatídica candidatura de Jilmar Tatto – pode ser o alicerce futuro para que o PSOL definitivamente consiga ultrapassar a barreira partidária que o impede de alçar voos próprios.

Se a candidatura de Guilherme Boulos já parece vitoriosa, a sua possível chegada ao segundo turno contra um Celso Russomano pode guardar uma perigosa coincidência com a derrota de seu colega de partido, Marcelo Freixo, na cidade do Rio de Janeiro em 2016. O adversário, baseado no eleitorado religioso de matriz conservadora, especialmente neopentecostais (ambiente onde o presidente Jair Bolsonaro alcançou 70% de votação em 2018 e guarda seus melhores índices de aprovação) tem sido, recentemente, o principal calcanhar de Aquiles da esquerda brasileira. Sendo assim, suplantar o PT parece ser uma questão de tempo para o PSOL, porém, ambos aparentam estar muito distantes de derrotar o seu principal adversário.

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