Max Dias
Historiador, jornalista, professor do IFES Campus Linhares e Doutor em História

O PSDB e a derrota (des)esperada


Publicado por: Max Dias Em: Política No dia: 20 de outubro de 2020


Quando uma velha liderança política de qualquer partido começa a reaparecer na cena pública, depois de um bom tempo “enterrado”, você pode ter ser certeza: algo de muito errado já aconteceu. Principalmente se esse líder for um ex-presidente que saiu do seu posto tendo altos índices de reprovação e não conseguiu fazer o seu sucessor. Fernando Henrique Cardoso (FHC) tornou-se, novamente, uma estrela dentro do PSDB, tentando aprumar os rumos da sua agremiação que não consegue mais encaixar um mínimo discurso capaz de aproximar o eleitor de sua legenda.

Para os que tem memória curta, o PSDB foi o partido que durante mais tempo hegemonizou com o PT na cena nacional e hoje, ao que tudo indica, busca manter, com unhas e dentes, o seu último bastião que é o Estado de São Paulo e sua capital. Há quem diga que João Dória é o verdadeiro personagem em ascensão da agremiação, entretanto, sob essa figura pairam muitas dúvidas, principalmente sua capacidade de aglutinação do velho militante tucano e de orientação das novas tendências para o futuro peessedebista. Outrora perto do presidente Jair Bolsonaro, a pandemia os colocou em distanciamento político restando um grande ônus para o governador paulista.

O desequilíbrio tucano foi se tornando absurdo ano após ano: para alguns grupos ele representa um setor da esquerda brasileira “cheirosa”. Para outros, ele é uma direita “sem a faca na caveira”. Pintado de vermelho, azul, verde e amarelo, o PSDB consegue hoje ser menos lembrado pelos eleitores do que o PSL (uma legenda fantasma até 2018). Isso dificulta sua inserção e impede a identificação do cidadão à sua agenda.

Na realidade o PSDB ficou espremido na onda avassaladora direitista pós-2013. Tentou surfá-la, liderando o processo de derrubada da Dilma em 2016, e conseguiu crescer nas eleições municipais desse mesmo ano, porém, a sua tendência ao establishment acabou por colocá-lo no limbo da política após ser o fiador da gestão Michel Temer. Em 2018 veio a extrema unção: com Geraldo Alckmin, os tucanos não fizeram 5% dos votos para a presidência. Ficaram no primeiro turno.

Se em algumas capitais do Norte, como Rio Branco, Porto Velho e Palmas, o partido parece ter fôlego para vencer a disputa, em nenhuma delas tende a ser no primeiro turno. Voltando à São Paulo, onde os tucanos sempre detiveram maior expressão, a peleja contra Russomano (Republicanos), tendo ainda Marcio França (PSB) e Guilherme Boulos (PSOL) no encalço, pode ser uma tarefa política inglória para o jovem Bruno Covas. Uma derrota na capital paulistana é também uma derrota do legado Mario Covas, seu avô, cabeça fundadora do PSDB e primeiro candidato à presidente do Brasil pelo partido em 1989.




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