
Max Dias
Historiador, jornalista, professor do IFES Campus Linhares e Doutor em História
Publicado por: Max Dias Em: Sem categoria No dia: 22 de outubro de 2021
A semana começou quente com a leitura do relatório da CPI da Pandemia. Tudo aquilo que nós já sabíamos ficou ainda mais evidente. Foram enumerados uma série de crimes cometidos por pessoas do governo e da família Bolsonaro. O próprio presidente também foi acusado. Entretanto a repercussão na grande mídia não foi acompanhada de uma comoção nacional. Ninguém se espanta com o que é esperado. Assim, no meio da semana, o noticiário acabou contagiado pela informação de que o liberalismo de Paulo Guedes estava indo para uma offshore. Pois no Brasil, a proximidade eleitoral e o medo de uma derrota no pleito, sempre desmascaram qualquer governo dito liberal.
Fica claro que a teoria econômica liberal de Paulo Guedes foi um autêntico voo de galinha. Durou menos que o feito da cloroquina para cura da covid-19. Como tudo nesse governo, a falácia do liberalismo serviu para convencer neófitos, principalmente os trabalhadores afetados pela atual pejotização. Enquanto “novos empreendedores”, estes indivíduos estavam convencidos de que a solução para o Brasil estava no laissez-faire. Foram enganados, mas vão retrucar dizendo: eu votei no Amoedo.
Os mais ortodoxos vão dizer que a teoria liberal sofreu com os efeitos da pandemia. Faz sentido, todavia se o liberalismo não consegue trazer respostas para um cenário de caos econômico, para que ele serve? A verdade é que o clã Bolsonaro e sua estrutura paralela foram arrastados por escândalos, investigações e prisões. No ouvido do presidente perguntas difíceis de serem respondidas tornam-se inaudíveis. Naquele cercadinho em frente ao Palácio do governo, ele só ouve o grito da sua torcida. E nesses dias ninguém por ali disse que o aumento do Bolsa Família é uma compra descarada de votos. Antes de 2018 esses discursos eram bem comuns. Hoje se tornaram frases de museu ou meme de rede social.
Empenhados em romper o famigerado “teto de gastos”, Bolsonaro e Paulo Guedes tendem a correr abraçados para 2022. Cada um a seu modo, deixando para trás os discursos que outrora lhes deram força e votos. Politicamente, quem sorri com isso é o centrão. Cada vez mais empoderado, segue manobrando o governo no Congresso. Evidenciando assim que a mudança de rumos não está nas mãos do presidente ou do seu superministro da economia. A República está sob o comando da dinastia inaugurada por Eduardo Cunha, o malvado favorito dos fantoches canarinhos.

