Mês da consciência negra: o PT e os partidos de esquerda são comandados por brancos


Publicado por: Redação Em: Política No dia: 17 de novembro de 2021


Dia 20 de novembro é comemorado o Dia da Consciência Negra no Brasil. A data é sempre a oportunidade para trazer à baila reflexões sobre como reduzir o racismo no país e promover ações que de fato se transformem em direitos e igualdade. Na política, os partidos que mais fomentam esses debates, curiosamente, são liderados por pessoas brancas. É como se eles dissessem assim para a população negra: “ok. Reconhecemos a importância do debate, mas aqui, nesse local de poder, deixa com a gente”.

O Partido dos Trabalhadores (PT), por exemplo, tem como presidente Gleisi Hoffmann. Exercendo mandato de deputada federal pelo Paraná, ela, aos 56 anos, é loira, dos olhos claros, e, não que isso seja problema, é a cara da burguesia.

O PCdoB tem Manuela d’Ávila como sua principal referência atualmente. Ela, inclusive, foi a indicada do partido para concorrer como vice-presidente de Fernando Haddad, do PT, nas últimas eleições. Jornalista, ex-deputada federal, é do Rio Grande do Sul, um ente federado que, como dizem, tem o país deles lá.

O Psol vai sendo norteado pelos passos do paulista Guilherme Boulos. Seu pai e sua mãe são médicos. Condição rara para a maioria dos brasileiros. Mas ele escolheu utilizar a estrutura familiar que lhe fora concedida para estudar e batalhar em causas nobres, como a do MTST.

O que eles têm em comum para defender-se é que o Brasil é um país miscigenado e, portanto, ninguém é, de fato, branco. Corre nas veias do brasileiro uma mistura de sangues que, por mais que colônias italianas, alemãs e afins tentem esconder, faz com que seja uma nação única, sem motivos para separações.

No entanto, os partidos que criam setoriais para discutir questões raciais, levantam bandeira antirracistas, promovem e fomentam o debate em torno de igualdade de condições e de direitos, estão comandados por pessoas brancas. São elas quem pautam o debate e se sentem no direito de se dizer representantes dos anseios, desejos, angústias, necessidades, dores e tudo mais do povo negro. Soa, no mínimo, hipócrita e oportunista.

Por que não existem negros ditando as regras, conduzindo debates, assumindo presidência dos partidos de esquerda, sendo candidatos prioritários aos cargos do Legislativo ou apresentados como candidatos à presidência da república?
No Espírito Santo, por exemplo, o PT é conduzido por João Coser. Quem o conhece sabe de sua aparência aprazível, como quem parece ser dono de iate e helicóptero. A deputada estadual petista atualmente é Iriny Lopes, que tem origem grega.

O homem branco acha que o mundo gira ao redor de si. Acha também que sabe tudo sobre a população negra. E na hora de garantir o espaço para que negros comandem a política e, por consequência, influenciem a condução na vida dos brancos, os brancos parecem fazer vista grossa, escolher um discurso suave, mas que continua deixando negros às margens dos espaços de poder.

Sobre os partidos de direita, nem precisa comentar. Não basta não ser racista. É preciso ser antirracista, mas, sobretudo, deixar com que os negros falem por eles mesmos, decidam por si só e, por que não, tomem as rédeas dos partidos, das políticas públicas e do país, trazendo a sua maneira de pensar, agir e escolher, afinal, os negros são maioria no país, não os brancos.