Max Dias
Historiador, jornalista, professor do IFES Campus Linhares e Doutor em História

Jornalismo, política e balão de ensaio


Publicado por: Max Dias Em: Política No dia: 5 de novembro de 2021


O balão de ensaio é uma artimanha utilizada tanto pela política quanto pelo jornalismo para capturar repercussões. Geralmente é difícil saber de onde a informação procede. A sensação de descrença que a acompanha, e é assimilada pelo público, está numa proporção idêntica à de que estamos diante de um enunciado genuíno. É nessa lacuna que o balão de ensaio age. A dúvida é seu álibi e vigora até que os atores envolvidos na trama venham a público e desmintam ou confirmem a história. No geral, os personagens seguem calados até que a história desapareça e, de fato, na política e no jornalismo o desejo por novidade garante novos balões de ensaio.

Em tempos de fake news o balão de ensaio pode até ser tido por notícia falsa, entretanto, o direito do jornalista em seu resguardo da fonte segue garantindo legitimidade ao expediente e isso ajuda a vender notícia. Essa semana vai chegando ao fim com uma informação quente. Nela foi veiculado que Lula e o ex-tucano Geraldo Alckmin estariam conversando para a formação de uma aliança presidencial. Fernando Haddad e Marcio França seriam os articuladores desse impensável ajuntamento.

O fato do ex-governador de São Paulo pelo PSDB ainda não ter embarcado em uma nova agremiação torna a especulação ainda mais instigante. Por que Alckmin está demorando tanto a decidir? Essa dúvida retroalimenta a outra. Pensando no histórico de disputa e rivalidade entre os dois (contendo, inclusive, rusgas quando da eleição presidencial de 2006) esse balão de ensaio serviu para caçar cliques e aumentar o ganho com publicidade nos portais. Nada mais. Contudo, na política, “tanto vai o cão ao moinho que um dia lá deixa o focinho”. Seria impossível uma chapa Lula e Alckmin?

O balão de ensaio serve, também, para agitar outros âmbitos da disputa política. É uma reação em cadeia. Como já dito por essa coluna em ocasiões passadas, os interesses na corrida presidencial passam pelo quebra-cabeças a ser montado nos Estados. O palanque e a composição da chapa proporcional são os maiores deles, pois garantem que o outro lado da disputa sairá enfraquecido na medida em que você demonstra forças na articulação.

Por enquanto segue aberta a temporada dos balões de ensaio. Aproveitem. Essa estação prosseguirá até meados do ano que vem quando, em definitivo, as convenções partidárias encerram momentaneamente parte das especulações midiáticas.




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