Entenda o que é a variante delta do coronavírus e quais são os riscos para o Brasil

Estudos apontam que nova cepa pode ser até 60% mais transmissiva; demora para descobrir casos preocupa cientistas

Publicado por: Agencia de Notícias Em: Saúde No dia: 9 de julho de 2021


O que acontece quando uma variante perigosa do coronavírus se choca com outra também ameaçadora em uma briga por território? A pergunta, que parece saída da narração de um documentário de vida selvagem, se aplica bem à disputa que as variantes Delta, originária da Índia, e Gama, identificada primeiro no Amazonas, podem travar no Brasil. Esse embate mórbido está em observação pelos cientistas, principalmente desde que casos que apontam transmissão comunitária (quando eles não são “importados”) da Delta foram achados por aqui.

— As variantes britânica e sul-africana entraram no Brasil, mas não se espalharam — recorda o cientista Amilcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ. — Mas com a Delta não sabemos como será. A gente terá que acompanhar com estudos de larga escala. É preocupante como ela vai se comportar. No Rio, por exemplo, nós já vimos a variante P2 ser substituída pela P1 (outra nomenclatura para a Gama) em questão de um mês.

De acordo com o Ministério da Saúde, 16 casos da variante Delta foram notificados no Brasil até agora. A maior parte deles no Maranhão, que tem seis diagnósticos positivos — todos em tripulantes de um mesmo navio. O estado é seguido por Rio de Janeiro e Paraná, com três, e depois, Goiás, com dois. Além de Minas Gerais e São Paulo, com um caso positivo por estado. Dois óbitos foram confirmados, no Maranhão (um indiano de 54 anos) e no Paraná (uma gestante de 42 anos que esteve no Japão).

Na capital paulista, para tentar identificar a origem da transmissão, a prefeitura realiza um inquérito epidemiológico entre contactantes da família do primeiro caso conhecido — um homem de 45 anos —, revelado na segunda-feira, mas que adoeceu ainda em junho. Cerca de 30 pessoas fazem parte do rastreio. Caso não seja possível identificar quem trouxe o vírus até a cidade, estará confirmada a transmissão comunitária.

Essa demora em descobrir os casos é outro ponto de preocupação. O mapeamento genômico da Covid no Brasil (maneira que se tem para conhecer o vírus em circulação) ainda é muito inferior, por exemplo, ao feito no Reino Unido, ainda que tenhamos melhorado em 2021, conta Fernando Spilki, virologista e coordenador da Rede Corona-ômica. A iniciativa, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, foi criada para observar as variantes.

 




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