Max Dias
Historiador, jornalista, professor do IFES Campus Linhares e Doutor em História

As apostas de Bolsonaro contra Lula


Publicado por: Max Dias Em: Colunistas No dia: 17 de dezembro de 2021


 

A cada nova rodada de pesquisas eleitorais muitos observadores políticos insistem em ratificar a vitória do ex-presidente Lula no primeiro turno. É uma fala retroalimentada pelos próprios números. Naturalmente. Entretanto, é preciso levar em consideração dois fatores básicos. Um deles acompanha a história do Partido dos Trabalhadores desde sua primeira eleição presidencial. O outro corresponde ao impacto da máquina pública numa eleição polarizada. Em ambos os casos, Lula tem mais a perder que ganhar. Por isso é cedo para comemorar vitória, mesmo que as pesquisas digam o contrário.

De fato, dentre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno em 2018 quase a metade não vai reafirmar a escolha. A cada dez eleitores, quatro dizem que vão votar no seu opositor em 2022. Isso é um demonstrativo que Bolsonaro não conseguiu consolidar um eleitorado. Na outra ponta, Lula permanece no imaginário popular enquanto um presidente que proporcionou melhorias econômicas para as pessoas. Mergulhado nas costuras políticas que podem lhe garantir futura estabilidade no Congresso, Lula está presente no noticiário apenas para reafirmar o seu bom desempenho nas pesquisas. É nisso que se adversário maior se apega para vencê-lo no possível segundo turno.

Jair Bolsonaro não trabalha com uma vitória eleitoral no primeiro turno. Mas também não acredita que sua derrota estará sacramentada no dia dois de outubro de 2022. A história pesa a favor do atual presidente. Isso porque o PT, desde 1989, nunca venceu uma eleição em primeiro turno, nem mesmo quando esteve em condições melhores. Se o antipetismo não é um fator de grande aderência (inclusive porque o antibolsononarismo ganhou muitos adeptos a partir de 2019) restará o debate econômico.

A tentativa de Lula em aglutinar setores refratários por meio de uma parceria com o ex-tucano Geraldo Alckmin ainda não se mostrou infalível nas pesquisas. Desse modo, a máquina de governo bolsonarista segue rastreando os aliados que têm recebido quantias vultosas de verbas públicas para que os mesmos não bandeiem. Para tanto é necessário que os milhares de grupos de whatsapp e as fábricas de adesivos para carros sigam operando na alta. A manutenção dos 20% nessa altura da disputa mantém o presidente vivo.

De alguma maneira, Bolsonaro torce para que candidatos à direita, como Sérgio Moro e Dória, consigam avançar sem incomodar, quer dizer, um crescimento que contenha o convencimento de parcela dos eleitores indecisos. Daí, no segundo turno, sua chance aumenta. Essa é mais uma aposta para que a faixa presidencial não ocupe, novamente, o ombro do metalúrgico ao final do segundo turno.




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