
Publicado por: Redação Em: Política No dia: 30 de julho de 2020
O arcebispo de Vitória, Dom Dario Campos e o seu antecessor, Dom Luiz Mancilha, estão entre os 152 bispos do país que assinaram a “Carta ao Povo de Deus”, documento que faz duras críticas ao governo Bolsonaro.
Na carta os prelados de todo país apontam Bolsonaro como culpado por toda crise vivida no Brasil. Em outra parte, os religiosos acusam o governo federal de priorizar a economia em detrimento das pessoas. “O sistema do atual governo não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos, mas, a defesa intransigente de uma economia que mata”
Em tom duro os bispos criticam áreas especificas do governo Bolsonaro, como é o caso da área social. “O desprezo pela educação, cultura e saúde também nos estarrece. Esse desprezo é visível na raiva pela educação pública..”
O que diz a carta
O documento cita diretamente tanto o presidente da República, Jair Bolsonaro, quanto o ministro da Economia, Paulo Guedes. Indiretamente, faz críticas a diversos setores do governo federal, como os ministérios da Saúde, da Educação e das Relações Exteriores.
Os bispos começam dizendo que se sentem “interpelados pela gravidade do momento em que vivemos” e não têm interesses “político-partidários, econômicos, ideológicos ou de qualquer outra natureza”. Afirmam que o Brasil vive um “cenário de perigosos impasses, que colocam nosso País à prova” e que “essa realidade não comporta indiferença”.
Em referência sugestiva à terminologia que costuma ser empregada por católicos em discussões sobre o aborto, os bispos falam que estão agindo “em favor da vida”, principalmente “dos segmentos mais vulneráveis e excluídos, nesta sociedade estruturalmente desigual, injusta e violenta”. “É dever de quem se coloca na defesa da vida posicionar-se, claramente, em relação a esse cenário”, afirmam os bispos.
Os autores da carta também criticam “discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela Covid-19” e a “incapacidade e inabilidade do governo federal” em enfrentar as atuais crises.
Atacam também as reformas trabalhista e previdenciária, que, para eles, são “armadilhas que precarizaram ainda mais a vida do povo”. Criticam a liberação do “uso de agrotóxicos antes proibidos” e a falta de controle dos desmatamentos e dizem ser “insustentável uma economia que insiste no neoliberalismo”.
Os bispos também dizem que o governo Bolsonaro se aproxima do totalitarismo e utiliza “expedientes condenáveis, como o apoio e o estímulo a atos contra a democracia, a flexibilização das leis de trânsito e do uso de armas de fogo pela população”.
Indiretamente, citam diversos setores do governo federal ao acusarem “desprezo pela educação, cultura, saúde e pela diplomacia”. Dizem que o governo mostra “raiva pela educação pública”, apela a “ideias obscurantistas” e escolhe a “educação como inimiga”.

