Foragido por assassinato ameaça autoridades e desafia PF no Espírito Santo

Procurador municipal ameaçado busca proteção do Ministério da Justiça, sem sucesso; PF foi acionada para prender apontado como mandante de assassinato de vereador

Publicado por: Agencia de Notícias Em: Polícia No dia: 29 de julho de 2025


Um homem foragido das polícias do Espírito Santo tem desafiado as autoridades após ser apontado como mandante do assassinato do vereador Marcos Augusto Costalonga, ocorrido em maio de 2021.

De todos os envolvidos identificados no inquérito policial, o mandante do crime Gilbert Wagner Antunes Lopes segue foragido, segundo a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), que concluiu o caso e prendeu cinco pessoas em junho do ano passado.

Lopes é conhecido como “Waguinho Batman”, apontado pela polícia como miliciano, indiciado pela PCES e denunciado pelo Ministério Público. O nome dele consta no BNMP (Banco Nacional de Mandados de Prisão) há um ano e trava uma disputa para as polícias o localizarem.

“A Superintendência de Inteligência e Ações Estratégicas (SIAE) foi designada pelo delegado-geral da PCES para dar continuidade aos levantamentos e diligências, com o objetivo de localizar o foragido e realizar sua prisão, inclusive com autonomia para estabelecer uma Força Tarefa, caso necessário”, esclareceu a PCES à CNN.

Com esse desafio de encontrar o foragido, a Polícia Civil do estado destaca que enviou pedido à Polícia Federal solicitando apoio para o cumprimento do mandado. Procurada pela reportagem, a PF não confirmou o pedido, tampouco que trabalha na localização do foragido.

Com o nome no BNMP, no entanto, qualquer força de segurança em território nacional pode cumprir o mandado de prisão contra o Waguinho Batman. O secretário de Segurança do Estado, Leonardo Damasceno, disse à CNN que o foragido “é um dos alvos prioritários da PC, que pediu ajuda da PF”. Segundo o titular da pasta, há notícia de que teria saído do Espírito Santo.

De acordo com o delegado Thiago Viana, titular da Delegacia de Polícia de Presidente Kennedy (ES) na época do crime, a motivação do assassinato estava relacionada a uma dívida que o mandante do crime tinha com o vereador.

“Quando ainda não era vereador, o Marcos vendeu um caminhão de mourões para o mandante do crime, no entanto, esse homem não pagou pelo produto. O mandante tinha uma empresa que era responsável na época por uma obra pública na cidade. O vereador começou a fazer cobranças incisivas. Quando assumiu o cargo de vereador disse, inclusive, que iria à Prefeitura solicitar o bloqueio de pagamento dele, caso não pagasse pelo valor dos mourões. Os dois discutiram, o mandante efetuou o pagamento e depois ordenou a execução do vereador”, explicou o delegado no fim do inquérito.

Ameaças

Enquanto está foragido, o investigado não se esconde. Em 13 de fevereiro deste ano ele participou de uma audiência do processo por videoconferência.

Waguinho Batman também se comunica com outras pessoas no estado e ameaça autoridades, como Rodrigo Lisboa, procurador municipal de Presidente Kennedy, cidade onde a morte do vereador ocorreu. Desde que recebeu ameaças, Lisboa anda com segurança armada e buscou proteção do Ministério da Justiça, em Brasília.

A CNN obteve um áudio que o procurador recebeu, em que o foragido diz: “eu só ia avisar que eu sei aonde você foi, eu sei o que que você está fazendo, entendeu? Eu sei o que que você está falando. E por isso estou te mandando no áudio que eu não mando recado digitado para você, porque eu mando áudio mesmo para poder ficar registrado mesmo”.

O áudio de ameaça continua com “então, eu estou só te avisando que eu sei. Eu sei onde que você andou, eu sei aonde que você, por onde você andou falando meu nome, eu sei o que que você anda especulando meu nome, entendeu? É só isso só que eu queria falar para você. Eu sei aonde você foi fazer pedido contra mim. Eu posso resolver as outras coisas das coisas que eu sei, da maneira que eu sei resolver. Entenda conforme você quiser. Leve para a NASA, se você quiser esse áudio. Agora saiba de uma coisa, eu não faço nada pelas costas. Nada tem a minha cara, tá? E você era para saber disso”.

Após as ameaças, o procurador enviou ofício ao ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski relatando o caso. O pedido de proteção foi enviado à Polícia Federal em novembro do ano passado, mas sem atualização após nove meses.

O MJ informou à reportagem que o caso foi analisado pela Ouvidoria-Geral. Já a PF disse que não vai comentar o caso. Outra autoridade do município também recebeu ameaças do foragido, mas pediu para a reportagem não citar seu nome com medo de represália.

Enquanto existe a divergência entre as polícias, as autoridades seguem com a preocupação diária enquanto o foragido não é encontrado. “Não vejo a hora desse miliciano ser preso e minha vida voltar ao normal!”, declarou o procurador municipal à reportagem.