Max Dias
Historiador, jornalista, professor do IFES Campus Linhares e Doutor em História

O fator local e o nacional para a terceira via


Publicado por: Max Dias Em: Política No dia: 30 de setembro de 2021


Dentro da realidade crua dos números surgidos de pesquisas eleitorais recentes há espaço para o crescimento de uma terceira via. As insatisfações com os nomes de Lula e Bolsonaro são refletidas a cada levantamento dos institutos. Entretanto, esse espaço não poderá ser ocupado por mais de um candidato. Aí que reside o grande problema desse campo que congrega os mais diferentes atores, com muitos interesses que, inclusive, esbarram em necessidades locais para além da disputa nacional.

Essa semana os grandes jornais se esmeraram na tarefa de experimentar os balões de ensaio. No geral, buscando furar o cerco do PT, afinal, eles também entendem que Bolsonaro já passou pelo pior cenário e permaneceu com um eleitorado fiel o suficiente para levá-lo ao segundo turno. Essa ideia de colocar ingredientes químicos para transformar pedra em gás é antiga na política, pois torna o bochicho de corredor em tese de congresso partidário. Por mais que os repórteres saibam que a coisa não funciona dessa forma, eles também aprenderam, por meio da prática profissional, que uma flecha disparada nunca volta sem resposta. E, nesse momento, a intenção é essa porque faz girar o noticiário político.

Há uma reiterada fala entre os articulistas que a derrota do PT no primeiro turno é a garantia de vitória da terceira via. Por outro lado, apesar das pesquisas mostrarem o contrário, repete-se que um segundo turno entre Lula e Bolsonaro pode fortalecer o atual presidente. Enfim, são hipóteses baseadas no histórico recente, mas insufladas pelo desejo de fazer crescer uma “candidatura alternativa”, um nome ligado aos grandes meios de comunicação e alguns setores empresariais insatisfeitos com a birutagem bolsonarista. Do ponto de vista financeiro esse grupo não é pequeno. Já do ponto de vista eleitoral, esses segmentos, atualmente, cabem num fusca e a campanha de 2018 provou isso.

A questão definitiva para a unidade da terceira via passa pela concessão e o verbo ceder, para um político profissional, não aparece no dicionário. Pelas pesquisas, no olhar de hoje, Ciro deveria receber esse apoio irrestrito dos demais. Todavia, politicamente, a fusão do DEM e do PSL torna essa bancada grande e focada em interesses muito particulares, podendo servir, inclusive para esvaziar outros postulantes à presidência em prol de Bolsonaro. Alguns pré-candidatos afirmam que Ciro teve exposição suficiente nesses anos e mesmo assim não cresceu o que é um demonstrativo do seu teto eleitoral. Ele é que deveria retirar, pensam certos agrupamentos da centro-direita. Para terminar, qualquer fator regional acaba por afastar essas candidaturas na hora de selar o casamento em cartório e essa matemática tem o peso das pesquisas locais (muitas delas feitas internamente pelos partidos e não publicadas). Assim, é a “certeza” de uma eleição estadual que acaba por esvaziar qualquer chance de um amplo acordo nacional. A terceira via tende a sofrer com isso até o seu derradeiro fim.




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