Max Dias
Historiador, jornalista, professor do IFES Campus Linhares e Doutor em História

Auxílio Brasil x Bolsa Família


Publicado por: Max Dias Em: Política No dia: 17 de setembro de 2021


Após mais uma rodada de pesquisas, desta vez do Instituto Datafolha, vai ficando cada vez mais claro que o presidente Jair Bolsonaro tem a seu lado um séquito capaz de levá-lo ao segundo turno em 2022 – e isso congestiona o cenário eleitoral para o crescimento da chamada terceira via. Todavia, um fato novo dessa pesquisa corresponde ao crescente número de pessoas que rejeitam Bolsonaro (59%). A rejeição é um dado que precisa ser analisado e explorado com afinco pelos opositores, pois tende a ser o vetor determinante da eleição. Mas, mesmo assim, ela não garante o crescimento de uma candidatura alternativa. Não pelo retrato de hoje. Como todos sabem, pesquisa é um instantâneo de ocasião e tudo pode mudar no próximo flash.

Não por acaso, Jair Bolsonaro vai em busca de capturar setores outrora preteridos. Sabedor de que uma parcela da classe média e do empresariado está consolidada na sua candidatura, o presidente passa a acenar para os mais pobres por meio do Novo Bolsa Família e dá de costas para a classe média com o aumento de imposto (IOF). Como se não bastasse o crescente custo de vida no Brasil, com a disparada da inflação, agora vem mais um aumento de taxa para a conta de parcela dos brasileiros. O que não está bom pode piorar. Com a previsão de menor crescimento econômico para o ano que vem, Bolsonaro passa a apostar no antipetismo como a única forma de conseguir os votos dos eleitores da classe média refratários ao seu nome. É uma estratégia embasada, já que ele mesmo não acredita no crescimento da terceira via, tampouco no impeachment. Resta saber se o antipetismo estará tão em voga assim em 2022.

Já a tentativa de criar uma outra modalidade de ajuda aos mais pobres por meio do Auxílio Brasil (aumentando, inclusive, o seu valor) trabalha na linha de crescimento eleitoral junto a esse segmento, especialmente no Nordeste. Além disso, o novo programa traz consigo o desejo de enterrar eleitoralmente o atual, que ainda serve como referência de sucesso para o petismo nas regiões mais empobrecidas do país. Outrora criticado, chamado por Bolsonaro de “bolsa-farelo”, o Bolsa Família é agora a cereja do bolo, última tacada para que o atual presidente chegue com chances reais em 2022. O “ensinar a pescar” ficou para o passado junto com o liberalismo de Paulo Guedes.

A verdade é que a pandemia escancarou uma realidade excludente que é histórica no Brasil e apenas os mal-intencionados não a enxergavam. Assim, por mais que os bolsonaristas agora façam malabarismo para defender tal auxílio, é sensato acreditar que os mesmos não veem nisso uma espécie de “voto de cabresto”, como acusava o então deputado federal Jair Bolsonaro em 2010.




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