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Max Dias
Historiador, jornalista, professor do IFES Campus Linhares e Doutor em História

A direita não quer nada e a esquerda quer tudo


Publicado por: Max Dias Em: Polícia No dia: 9 de setembro de 2021


Jair Bolsonaro conseguiu quase tudo o que queria com as manifestações do dia 7 de setembro: levou muita gente às ruas, aumentou o tom de voz contra as instituições republicanas e articulou o agronegócio numa paralisação das rodovias pelo país. O nível de tensionamento permanece em um patamar ideal para que a agitação e a radicalização sigam lhe favorecendo. Quem considera que o presidente saiu derrotado na última terça-feira está sendo ingênuo.

Os que viram no 7 de setembro um ato cívico, estes estão mal-intencionados. É o caso do presidente da Câmara Federal, com seu discurso insosso e repetitivo, e do presidente do Senado, em seu tom de campanha pela terceira via. A verdade é que, desde as manifestações que levaram à queda da Dilma, a direita não quer mais nada no que tange à democracia. Os cartazes na Avenida Paulista comprovam isso e são uma repetição distópica. Por outro lado, se existe outra direita no Brasil (que a grande mídia insiste em colocá-la junto ao centro político), ela ainda não compreendeu em que pé nós estamos, afinal o PSDB deliberou, ontem mesmo, que não é hora de engrossa o coro pelo impeachment. Surpreendeu zero pessoas.

Em diversas cidades do país, no dia 7 de setembro (como manda a tradição desde 1995), a esquerda se uniu às pastorais católicas e também foi às ruas. O Grito dos Excluídos desse ano colocou o impeachment de Bolsonaro no radar, somado a mais uma infinidade de propostas que parece abranger a todos enquanto não dialoga com quase ninguém. É vacina no braço, comida no prato, educação pública, em defesa do SUS, denúncia de corrupção, alerta de inflação, violência policial contra pretos e pobres… a lista não para só que as massas não vêm. A esquerda quer tudo, pois assim é que deve ser num Estado Democrático de Direito. O problema é que estamos, desde 2016, flertando com a exceção e, não por acaso, o STF tem virado o grande para-raios da turba bolsonarista.

Assim, entre o pedido legítimo por impeachment e o trabalho da esquerda para a construção de uma candidatura presidencial competitiva está o Jair Bolsonaro, dando mostras claras de que não vai aceitar o resultado das urnas em 2022. O voto impresso sempre foi cortina de fumaça para que, numa derrota espremida (em meio à radicalização que se elevará na ocasião), seus aloprados possam criar tumulto suficiente e o Estado de Exceção se instale simultaneamente. O TSE e o STF sabem bem disso. Artur Lira e Rodrigo Pacheco também, apesar de simularem o contrário, pois, para eles importa mesmo é a torneira que jorra emendas. Por essas e outras a retirada de Bolsonaro da cadeira presidencial tornou-se uma operação cirúrgica e, pelo roteiro já escrito, o tempo joga a favor dele e contra a República. Na pragmática da política a direita que não quer nada e a esquerda que quer tudo terão que conversar.




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