
Publicado por: Redação Em: Geral No dia: 29 de dezembro de 2020
Quem dá uma volta pelo Centro de Cachoeiro já percebeu: a cada semáforo, alguém diferente pedindo uma ajuda em dinheiro. Mas pessoas buscando uma fonte de renda em atitudes até desesperadas têm crescido, aparentemente.
Um senhor de calça social, sapato e camisa de botão, segurando uma caixa cheia de mariolas, no meio da calçada próximo a loja Citron, em frente à Praça Jerônimo Monteiro, falava em alto e bom som: “preciso comprar um quilo de comida. Vocês talvez não estejam precisando, mas eu sim. Uma mariola que você compra é para me ajudar a comprar comida”.
Dali da onde esse senhor estava, era possível avistar mais duas pessoas no semáforo. Essas, no entanto, não estavam vendendo nada, apenas batiam nas janelas dos carros e faziam sinal pedindo algum dinheiro.
Nos semáforos do cruzamento entre as ruas Dona Joana e 25 de Março, em cada um deles, tem um rapaz que são figuras cativas nesses pontos. Um deles está sempre oferecendo jujuba a qualquer moeda que recebe.
Próximo ao prédio onde funcionava a Secretaria Municipal da Fazenda, uma senhora com duas crianças segura uma caixinha de papelão, cheia de bonecas miniaturas. É o que ela tem para vender. Ela pede encarecidamente por atenção dos que passam por ali e que sequer notam sua presença. É a forma de levantar algum trocado.
E se você for andando em direção à avenida Beira Rio, vai encontrar outro tanto de pessoas nas calçadas, nos semáforos, em todos os cantos, gente pedindo dinheiro. Em porta de supermercados, padaria e restaurante, lá estão eles. Nesse último caso, nem é dinheiro que pedem, o desejo deles é que no meio de suas compras, lembre-se que eles estão ali e aceitam qualquer coisa para mastigar.
A nossa tendência em fazer um pré-julgamento de pessoas que estão pelas ruas é quase cultural. Na maioria das vezes, condenamos e acreditamos que pedem dinheiro para usar droga ou comprar cachaça.
Mas acontece que o número de pais e mães de família que estão desesperados para sobreviver e ter o que levar para matar a fome em casa é aparentemente crescente.
A fome está novamente gritando na cara da sociedade. Quem está com um bom emprego, com as contas em dia, no entanto, prefere varrer esse problema para longe de sua visão.
Não dá para saber exatamente quando foi que a sociedade perdeu completamente a empatia e compaixão. Com a pandemia esse ano, o espírito natalino, que normalmente desperta o sentimento de caridade, esfriou.
São tempos estranhos. O individualismo está cada vez mais em evidência. Se a farinha é pouco, o meu pirão primeiro. E todo o avanço que o mundo poderia ter após 2020 anos do nascimento de Jesus parece ser utopia. A mentalidade de hoje é pior que a dos antepassados, porque com todo o aprendizado que é possível ter, analisando o que já aconteceu no decorrer dos anos, é inadmissível pensar que a sociedade ainda pensa como no tempo dos homens da caverna.

