
Publicado por: Redação Em: Política No dia: 15 de novembro de 2020
A eleição terminou e, ao que tudo indica, inaugurou um novo tempo político para Cachoeiro de Itapemirim. A cidade ficou durante décadas acompanhando as disputas entre Roberto Valadão, Theodorico Ferraço e Carlos Casteglione. Na primeira vitória de Victor Coelho, em 2016, ele derrotou, entre outros, Braz Barros, então sucessor de Casteglione, que não podia disputar porque estava em seu segundo mandato, e, mesmo com a máquina pública na mão, não logrou êxito. E Ferraço, tanto em 2016 quanto agora, não conseguiu emplacar seu candidato. A hegemonia de Victor Coelho é que vai nortear os próximos passos no cenário político cachoeirense.
Casteglione, além de não eleger sucessor quando tinha a prefeitura na mão, viu sua candidata Joana D’arck amargar um resultado pífio nessa eleição: 2,16%. Além disso, ele próprio, quando candidato a deputado estadual em 2018, teve uma votação surpreendentemente ruim, na casa dos seis mil votos. Casteglione utilizou os programas de rádio e de TV da Joana para colocar o seu rosto, falar de suas obras, suas ações, mas não adiantou.
Theodorico Ferraço teve que se dividir entre Marataízes, onde sua esposa Norma Ayub foi candidata e saiu derrotada, e Cachoeiro. Na maior cidade do sul do Estado, Ferraço trocou Jathir Moreira, candidato em duas ocasiões e sem êxito, pelo jovem e desconhecido Diego Libardi. Acontece que Diego teve menos votos (17%) que Jathir em 2016 (25%). E lá se vão 16 anos de Ferraço sem conseguir retornar à prefeitura, seja com candidatura própria, quando perdeu para Casteglione em 2008, ou apoiando alguém. E com a vitória de Victor, Ferraço completará 20 anos de fracassos eleitorais para prefeito.
Ferraço, no entanto, ao contrário de Casteglione, consegue votos suficientes para ser eleito deputado estadual e para que sua esposa Norma seja deputada federal, funções que exercem atualmente. É como se a população cachoeirense reconhecesse nele um benfeitor, mas prefere que ele fique lá em Vitória e deixe a prefeitura para novas cabeças e novos nomes. Em respeito à sua história e ao que já fez pela cidade, ganha o voto para ser deputado. É a impressão que se tem.
O difícil na política, muitas vezes, é saber a hora de parar. E as urnas vêm mostrando aos dois antigos políticos cachoeirenses que talvez seja melhor fazer como Valadão: aposentar e deixar o rio seguir seu curso naturalmente. A solidão do político sem mandato talvez seja assustadora demais para que essa decisão seja tomada.

